Meu trabalho em psicoterapia é voltado a pessoas que percebem um certo descompasso entre a própria forma de viver e as exigências contemporâneas de desempenho, adaptação e produtividade.
Em geral, trata-se de sujeitos com alta sensibilidade e capacidade reflexiva, que não se identificam com modelos clínicos excessivamente protocolizados nem com abordagens que, em muitos contextos, deixam de considerar a singularidade da experiência de cada um.
Nesse sentido, há uma escuta particularmente afinada com modos de funcionamento mais sensíveis e criativos de estar no mundo — o que inclui, mas não se limita a, pessoas com trajetória ligada à arte, à música ou a outras formas de expressão. Isso não se refere à prática artística em si, mas a uma forma de percepção mais intensificada da experiência, dos afetos e das relações.
O que emerge com frequência é uma experiência de inadequação que, aqui, não é tomada como déficit, mas como expressão clínica a ser investigada.
A escuta se orienta pela singularidade: aquilo que se repete, aquilo que insiste como sofrimento e aquilo que permanece sem elaboração na história de cada pessoa.
Entre adultos, é comum a chegada em momentos de crise, transição, esgotamento ou desorganização do sentido da própria trajetória. Em crianças e adolescentes, surgem com frequência conflitos relacionais e sofrimento escolar, situados no contexto familiar e social.
Não se trata de uma prática orientada por metas ou intervenções padronizadas, tampouco por abordagens espiritualizadas ou místicas. O trabalho é sustentado por uma base consistente em psicologia e filosofia, com compromisso ético e rigor clínico.
A proposta é sustentar um espaço de escuta qualificada onde o sofrimento possa ser elaborado em sua complexidade, sem redução do sujeito a categorias diagnósticas ou explicações simplificadoras, considerando sempre a articulação entre história, relações e contexto.
Abordagem clínica
A escuta é orientada principalmente pela psicanálise, em diálogo com:
- Fenomenologia Existencial
- Psicologia Social
- Gestalt-terapia
- Esquizoanálise
Esses referenciais funcionam como eixos de leitura clínica, utilizados de forma articulada conforme a singularidade de cada processo.